BUSCAMOS TRABALHO DIGNO

 

 

 

O Cooperativismo, no seu histórico mais que centenário, foi todo esse tempo fator de inclusão social e desenvolvimento comunitário, no mundo inteiro.

Porém, os problemas sociais continuaram crescendo, não só na população carente, mas também em setores de melhores condições, onde a falta de espaço de trabalho e a desvalorização humana e da mão de obra se tornaram fator crucial na sociedade. Aqui se criou uma demanda social ampla e com grandes oportunidades para as cooperativas se tornarem parte da solução.

A participação do governo, junto com entidades cooperativas, universidades e outras organizações é essencial para o sucesso e a busca de benefícios para a sociedade e seu bem-estar social.

É necessário que os governos incentivem e participem dos planos de desenvolvimento cuja potencialidade das cooperativas conseguem atender ajudando a política pública.

As cooperativas são o caminho para o trabalho digno e participativo, onde os projetos são democraticamente estabelecidos, para o bem da maioria. Evita a excessiva desigualdade, abre espaço de trabalho, não só para o seu sócio, mas toda as pessoas necessárias ao cumprimento dos seus objetivos, integrando grande número de membros da comunidade.

Somos alternativa viável para a igualdade social, não total (o que é impossível) mas digna para todos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ricos x Cooperativas… Hoje!

 

 

Os pequenos suportando os grandes!

A concentração da riqueza em poucos multimilionários, é a maior já conhecida na história.  Com pequena parcela dessa riqueza poderia ser eliminada a pobreza extrema do mundo:  Mais de 80% da riqueza mundial concentrou em 1% dos mais ricos.

A diminuição das desigualdades exige que sejam disseminadas amplamente as oportunidades, os produtos e os serviços.

Outrossim, alguns empresários entendem que modelos de participação dos empregados resultam em comércio justo, obtendo melhores resultados com essa atitude.

Empresas de propriedade dos empregados geram maior crescimento e melhores salários. Muitos textos lembram o exemplo de Mondragon, uma cooperativa multinacional espanhola, onde atuam mais de 74.000 pessoas.

As decisões que se tomam de forma democrática facilitam a garantia de trabalho e pessoas melhor pagas, com equidade.

Na possibilidade de os políticos darem prioridade para financiar e fomentar modelos cooperativos, poderíamos ter melhores soluções para o setor, o que hoje não acontece. De modo contrário a fome fiscal não respeita nem a Constituição e nem as Leis que premiariam as cooperativas com alguns benefícios.

Espírito Cooperativo

A Aliança Cooperativa Internacional (ACI), organiza neste mês de novembro de 2017, a sua Assembleia Geral, este ano na Malásia.
É um programa intenso de assuntos variados e importantes, tratando das atualizações que precisamos incrementar nas Cooperativas.
O foco principal do encontro, e o próprio título traz a frase “Cooperativas: Colocando as pessoas no centro do desenvolvimento.”
Esta é a frase que muitas Cooperativas não aplicam no seu dia a dia. Estamos interessados mais em cuidar as Cooperativas como empresa e sua administração, do que Cooperativas como um grupo de pessoas de interesses comuns, buscando progredir e melhorar suas condições de vida (através da produção e consequente ganho, obviamente).
É necessário reativar o espírito cooperativo!

Podemos transformar a comunidade!

Os momentos desfavoráveis podem ser fator de transformação, permitindo que as cooperativas, com seu poder de integrar pessoas de mesmos objetivos, gerem resultados e se tornem mais eficazes, na conquista do bem comum.

Acima de tudo, permitem participação crítica dos seus sócios, podendo satisfazer suas necessidades, no todo ou em parte.

Melhores resultados obteríamos se o privado (cooperativas) tivesse mais facilidade de parceria com o público (municipal, estadual ou federal).  Não é a nossa realidade brasileira.  Ao contrário, os conflitos maiores das cooperativas são no seu relacionamento com o setor público, que até fugindo o que determina a Lei das Cooperativas e a Constituição, dificultam a gestão empresarial cooperativa.

Todos sabemos que no setor agropecuário está o forte do cooperativismo. Mas, lembremos das cooperativas de crédito, de trabalho, de saúde, entre outros ramos.

O setor saúde, citando como exemplo, na região nordeste do Rio Grande do Sul está impulsionando a melhoria técnica, oferecendo ambiente de trabalho mais confortável e oferta de maiores e melhores serviços, com a implantação de mais uma unidade, que é a ampliação do Hospital Unimed Nordeste RS, em Caxias do Sul. O foco desta ampliação é o atendimento ambulatorial e o atendimento materno-infantil. Áreas frágeis da região. Que apoio público temos?

Não tendo esse apoio, precisamos de uma construção coletiva, comunitária e solidária. Eis a dificuldade. Precisamos resolver os conflitos internos e externos, e entender que a discordância de opiniões não significa desconstrução. Pode ser, no entanto, fator de melhoria e maior participação. Afinal, o exercício democrático também é solidariedade. E permite reinventar o momento difícil que todos estamos acompanhando.

MÉDICOS E USUÁRIOS NA GESTÃO DAS OPERADORAS DE SAÚDE

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É imprescindível, principalmente no momento atual, que as Operadoras de Planos de Saúde, inclusive as Cooperativas Médicas, melhorem seu canal de comunicação usando ferramentas de informação e formação dos seus players.

O cooperativismo na área da saúde evoluiu intensamente no Brasil e em outros países importantes, entre os quais destacamos Espanha, Canadá, Argentina e Japão.

A identidade do cooperativismo é fundamental para um mundo solidário, inclusive quanto à saúde das pessoas.

Porém, esse movimento requer não só profissionais, usuários, tecnologia, hospitais, mas também a valorização e o estímulo aos sócios cooperados e usuários, para que participem de um sistema de gestão conjunta, sem intermediários do capital, nem das instituições públicas, buscando mais valor ao trabalho e menos custo final.

Usuários e médicos deveriam ser os únicos responsáveis nessas Operadoras de Planos de Saúde. É a participação do usuário não só como paciente, mas também como ator/gestor do sistema.

O Futuro das Unimed’s, se…

Edson Luiz Doncatto Presidente do IBRASCOOP edsondoncatto@gmail.com
Edson Luiz Doncatto
Presidente do IBRASCOOP
edsondoncatto@gmail.com
   As OPS, operadoras de planos de saúde, incluindo as Unimed’s, perderam o foco da qualidade no atendimento aos clientes. Os clientes acham a cobertura da saúde cara e entendem que não estão sendo atendidos adequadamente, tanto em serviços particulares como nos serviços públicos. Soma-se também o fato de que a demanda pelo atendimento é grande o provoca espera pelo atendimento.
   O médico (boa parte) trabalha descontente, porque o valor dado ao seu trabalho é baixo. Nas Unimed’s o médico é sócio, permite reivindicar, noutras operadoras é credenciado, e não é conveniente reclamar porque talvez seja dispensado!
   Com relação à remuneração do trabalho médico é muito intrigante, que nas cooperativas de saúde, incluindo Unimed’s, a forma de remuneração do trabalho é linear, não importando o grau de dificuldade e o tempo necessário para sua execução e nem a experiência de quem a pratica, e muito menos se o médico é ou não especialista. Nos outros ramos do cooperativismo, por exemplo, nas cooperativas de produção, o produto é pago pelo seu grau de qualidade e classificação. Veja-se o exemplo do leite: de acordo com sua classificação tem valor diferenciado, pois na sua produção os cuidados e a forma de produzi-lo foram diferentes. Não quero comparar consulta médica com produção de leite, porém temos que achar uma maneira de remunerar de forma diferenciada a atividade médica de algumas especialidades. Alguma coisa precisa ser mudada, pois não podemos continuar com o rótulo de cooperativa, tratando de forma igual, as atividades complexas que exigem uma série de requisitos desiguais. Em algumas atitudes somos cooperativa e em outras não, que paradoxo…
   A nossa forma de gestão do negócio precisa ser revista urgentemente, porque como está se individualizam os ganhos e se socializam os custos. Não há incentivo ao comprometimento. Não se oportuniza ao sócio a chance de aumentar ou diminuir seus ganhos em decorrência do resultado do seu trabalho.
   O desafio é: Como tornar o sócio da cooperativa Unimed feliz por ainda ter a sua entidade, que vai ao mercado de alto risco dos planos de saúde, e que possa lhe oferecer trabalho com melhor remuneração do mercado brasileiro. Não esqueçamos nunca que existe um cliente pagando o plano de saúde, que requer cada vez mais atenção. Os clientes não trocam de plano por causa do controle da Agência Nacional de Saúde, nem pelos preços da concorrência, e sim pela nossa incapacidade de retê-los, onde é de fundamental importância a relação médico-paciente.
   Diante disso, o que fazer? Mudar a forma de remuneração do trabalho médico. Separar, dentro da própria Unimed, quem quer ser médico sócio da cooperativa e quem quer ser só credenciado. Os médicos que assumem o risco do negócio, os atuais sócios, serão tratados como sócios de uma cooperativa e os demais terão a garantia de atender os beneficiários da Unimed, porém na condição de credenciados. Mas, isto é assunto para outra ocasião.

Princípios do Cooperativismo

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1 – Adesão voluntária e livre – Cooperativas são organizações voluntárias abertas para todas as pessoas aptas para usar seus serviços e dispostas a aceitar suas responsabilidades de sócio sem discriminação de gênero, social, racial, política ou religiosa.

2 – Gestão democrática pelos associados – as Cooperativas são organizações democráticas controladas por seus sócios, os quais participam ativamente no estabelecimento de suas políticas e nas tomadas de decisões. Homens e mulheres, eleitos pelos sócios, são responsáveis para com os sócios. Nas cooperativas singulares, os sócios têm igualdade na votação; as Cooperativas de outros graus são também organizadas de maneira democrática.

3 – Participação econômica dos associados – eles contribuem equitativamente e controlam democraticamente o capital de sua Cooperativa. Parte desse capital é usualmente propriedade comum da Cooperativa para seu desenvolvimento. Usualmente os sócios recebem juros limitados sobre o capital, como condição de sociedade.Os sócios destinam as sobras para os seguintes propósitos: desenvolvimento das Cooperativas, apoio a outras atividades aprovadas pelos sócios, redistribuição das sobras, na proporção das operações.

4 – Autonomia e Independência as Cooperativas são organizações autônomas de ajuda mútua. Entrando em acordo operacional com outras entidades, inclusive governamentais, ou recebendo capital de origem externa, elas devem fazer em termos que preservem o seu controle democrático pelos sócios e mantenham sua autonomia.

5 – Educação, formação e informação – as Cooperativas oferecem educação e treinamento para seus sócios, representantes eleitos, administradores e funcionários para que eles possam contribuir efetivamente para o seu desenvolvimento. Também informam o público em geral, particularmente os jovens e os líderes formadores de opinião sobre a natureza e os benefícios da cooperação.

6 – Intercooperação – as cooperativas atendem seus sócios mais efetivamente e fortalecem o movimento cooperativo trabalhando juntas, e de forma sistêmica, através de estruturas locais, regionais, nacionais e internacionais, através de Federações, Centrais, Confederações etc.

7 – Compromisso com a comunidade – as Cooperativas trabalham pelo desenvolvimento sustentável de suas comunidades, através de políticas aprovadas pelos seus membros, assumindo um papel de responsabilidade social junto a suas comunidades onde estão inseridas.

COOPERATIVAS: DESAFIOS

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(Tito Armando Rossi, Cooperativista, ex-presidente da Unimed Nordeste RS)

O Sistema Cooperativista tem sido propalado e reconhecido. Todavia, a superação das suas inerentes dificuldades está a demandar maiores estudos. Pode-se afirmar que a cooperativa é um sistema mais justo, porém, bastante sofisticado. Principalmente, quando se destina a um objetivo com maior complexidade, exige dos seus participantes integridade e competência.

A cooperativa difere da firma dita capitalista, onde poucas pessoas decidem de modo definitivo. Também, não é, apenas, um mutirão em que muitos trabalham ombro a ombro, sem uma estrutura jurídica a representá-los. A organização cooperativa é um sistema com as exigências de uma empresa e as de uma associação.

Como, empresa, precisa produzir resultados econômicos para oferecer aos sócios rendimentos justos pelo trabalho e segurança para o seu futuro. Para essas finalidades, necessita manter constante avaliação dos processos buscando otimizá-los, fidelizar a clientela com perspectivas de curto, médio e longo prazo, tendo em vista a concorrência atual e possíveis novos entrantes no setor.  É essencial que reserve recursos para investir em seu crescimento e inovar, evitando a estagnação. Tenha-se em conta que as inovações detêm grande potencial de rentabilidade, mas, oferecem maiores riscos. Conseqüentemente, a empresa deve medir os seus recursos e ter capacidade para aceitar prejuízos previamente estimados. As escolas de administração e a abundante literatura dirigida a empresas de modelo capitalista podem servir de base, desde que se façam as adaptações necessárias ao sistema.

A condição associativa das cooperativas representa o seu desafio superior. A dificuldade está em muitas pessoas com igual poder de voto chegar ao consenso em tempo hábil com respeito aos métodos, assim como sobre as vantagens e os sacrifícios que cabem a todos e a cada um.  Existe uma Diretoria ou Conselho responsável pelas decisões delegadas, entretanto, os julgamentos finais pertencem às assembléias. Uma questão fundamental é a boa escolha dos dirigentes. Ela depende de um hábil julgamento pelo conjunto dos sócios.  Ao escolher, é necessário levar em consideração, ao invés de manifestações de amizade, ter um temperamento agregador, conhecimentos básicos de legislação e de gestão.  Se os donos não estiverem dispostos a se dar o tempo indispensável para cuidar do que é seu, pouco poderão esperar. O acesso às informações é pré-requisito essencial para um bom julgamento. A maioria dos cooperados, mesmo sem pretender ocupar cargos de direção, deve conhecer a administração, assumindo como primeira condição transparência de ações. Não bastam comunicações “ex cáthedra”, sem possibilidade de reinquirições e eventuais contestações. O sistema necessita engendrar mecanismos para tornar obrigatório o diálogo constante entre a direção e o conjunto dos cooperados, aceitando-se com naturalidade manifestações das minorias. Há conveniência em ocorrer uma rotatividade nos nomes da direção, sem se deixar de reconhecer que a experiência adquirida e o talento constituem um capital construído pela empresa, o qual não pode ser desperdiçado. As competências se adquirem pela experiência, junto com o estudo e o acompanhamento da dinâmica empresarial. Considerado o porte da cooperativa, a concepção de um funcionamento apurado depende de adequada distribuição de atribuições entre a direção formada por sócios, também executores dos seus objetivos fins, e os gerentes e funcionários com funções administrativas e complementares. Fundamentalmente, para melhores resultados, a cooperativa depende do desenvolvimento de uma cultura de cooperação, onde os sócios procurem, em primeiro lugar, a saúde da empresa e o seu aprimoramento. Depois, ela irá distribuí-los.