O Futuro das Unimed’s, se…

Edson Luiz Doncatto Presidente do IBRASCOOP edsondoncatto@gmail.com
Edson Luiz Doncatto
Presidente do IBRASCOOP
edsondoncatto@gmail.com
   As OPS, operadoras de planos de saúde, incluindo as Unimed’s, perderam o foco da qualidade no atendimento aos clientes. Os clientes acham a cobertura da saúde cara e entendem que não estão sendo atendidos adequadamente, tanto em serviços particulares como nos serviços públicos. Soma-se também o fato de que a demanda pelo atendimento é grande o provoca espera pelo atendimento.
   O médico (boa parte) trabalha descontente, porque o valor dado ao seu trabalho é baixo. Nas Unimed’s o médico é sócio, permite reivindicar, noutras operadoras é credenciado, e não é conveniente reclamar porque talvez seja dispensado!
   Com relação à remuneração do trabalho médico é muito intrigante, que nas cooperativas de saúde, incluindo Unimed’s, a forma de remuneração do trabalho é linear, não importando o grau de dificuldade e o tempo necessário para sua execução e nem a experiência de quem a pratica, e muito menos se o médico é ou não especialista. Nos outros ramos do cooperativismo, por exemplo, nas cooperativas de produção, o produto é pago pelo seu grau de qualidade e classificação. Veja-se o exemplo do leite: de acordo com sua classificação tem valor diferenciado, pois na sua produção os cuidados e a forma de produzi-lo foram diferentes. Não quero comparar consulta médica com produção de leite, porém temos que achar uma maneira de remunerar de forma diferenciada a atividade médica de algumas especialidades. Alguma coisa precisa ser mudada, pois não podemos continuar com o rótulo de cooperativa, tratando de forma igual, as atividades complexas que exigem uma série de requisitos desiguais. Em algumas atitudes somos cooperativa e em outras não, que paradoxo…
   A nossa forma de gestão do negócio precisa ser revista urgentemente, porque como está se individualizam os ganhos e se socializam os custos. Não há incentivo ao comprometimento. Não se oportuniza ao sócio a chance de aumentar ou diminuir seus ganhos em decorrência do resultado do seu trabalho.
   O desafio é: Como tornar o sócio da cooperativa Unimed feliz por ainda ter a sua entidade, que vai ao mercado de alto risco dos planos de saúde, e que possa lhe oferecer trabalho com melhor remuneração do mercado brasileiro. Não esqueçamos nunca que existe um cliente pagando o plano de saúde, que requer cada vez mais atenção. Os clientes não trocam de plano por causa do controle da Agência Nacional de Saúde, nem pelos preços da concorrência, e sim pela nossa incapacidade de retê-los, onde é de fundamental importância a relação médico-paciente.
   Diante disso, o que fazer? Mudar a forma de remuneração do trabalho médico. Separar, dentro da própria Unimed, quem quer ser médico sócio da cooperativa e quem quer ser só credenciado. Os médicos que assumem o risco do negócio, os atuais sócios, serão tratados como sócios de uma cooperativa e os demais terão a garantia de atender os beneficiários da Unimed, porém na condição de credenciados. Mas, isto é assunto para outra ocasião.
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Princípios do Cooperativismo

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1 – Adesão voluntária e livre – Cooperativas são organizações voluntárias abertas para todas as pessoas aptas para usar seus serviços e dispostas a aceitar suas responsabilidades de sócio sem discriminação de gênero, social, racial, política ou religiosa.

2 – Gestão democrática pelos associados – as Cooperativas são organizações democráticas controladas por seus sócios, os quais participam ativamente no estabelecimento de suas políticas e nas tomadas de decisões. Homens e mulheres, eleitos pelos sócios, são responsáveis para com os sócios. Nas cooperativas singulares, os sócios têm igualdade na votação; as Cooperativas de outros graus são também organizadas de maneira democrática.

3 – Participação econômica dos associados – eles contribuem equitativamente e controlam democraticamente o capital de sua Cooperativa. Parte desse capital é usualmente propriedade comum da Cooperativa para seu desenvolvimento. Usualmente os sócios recebem juros limitados sobre o capital, como condição de sociedade.Os sócios destinam as sobras para os seguintes propósitos: desenvolvimento das Cooperativas, apoio a outras atividades aprovadas pelos sócios, redistribuição das sobras, na proporção das operações.

4 – Autonomia e Independência as Cooperativas são organizações autônomas de ajuda mútua. Entrando em acordo operacional com outras entidades, inclusive governamentais, ou recebendo capital de origem externa, elas devem fazer em termos que preservem o seu controle democrático pelos sócios e mantenham sua autonomia.

5 – Educação, formação e informação – as Cooperativas oferecem educação e treinamento para seus sócios, representantes eleitos, administradores e funcionários para que eles possam contribuir efetivamente para o seu desenvolvimento. Também informam o público em geral, particularmente os jovens e os líderes formadores de opinião sobre a natureza e os benefícios da cooperação.

6 – Intercooperação – as cooperativas atendem seus sócios mais efetivamente e fortalecem o movimento cooperativo trabalhando juntas, e de forma sistêmica, através de estruturas locais, regionais, nacionais e internacionais, através de Federações, Centrais, Confederações etc.

7 – Compromisso com a comunidade – as Cooperativas trabalham pelo desenvolvimento sustentável de suas comunidades, através de políticas aprovadas pelos seus membros, assumindo um papel de responsabilidade social junto a suas comunidades onde estão inseridas.