Unir para competir!

 

Diz o ditado popular que a união faz a força. Na Serra, existem diferentes casos de cooperativas que decidiram somar esforços para criar uma única estrutura. Redução de custos e aumento da competitividade são alguns aspectos que motivam decisões do tipo.

O setor vitivinícola é o que mais chama a atenção neste aspecto. A Serra já contou com mais de 20 cooperativas neste ramo e agora soma oito marcas. O caso mais recente de fusão é o da Nova Aliança, de Flores da Cunha, que foi forjada a partir de cinco negócios espalhados por Caxias do Sul (Aliança e São Victor), Farroupilha (Linha Jacinto) e Flores da Cunha (Santo Antônio e São Pedro).

O projeto de união começou a ser pensando em 2008, em um momento de dificuldade econômica mundial, e saiu do papel três anos mais tarde. Porém, apenas em 2014, com a construção de uma nova planta industrial, a Nova Aliança se consolidou. A empresa resultante desse processo conta com 850 associados e terá um faturamento de R$ 180 milhões em 2017, incremento de 15% frente à temporada anterior. É a segunda maior no segmento, atrás somente da Aurora.

Se continuassem separadas, as empresas estariam em apuros, avalia o presidente da Nova Aliança, Alceu Dalle Molle. 

– É difícil dizer que as cinco fechariam, mas com certeza teriam grandes dificuldades. Juntos temos muito mais força.

Com a operação unificada em Flores da Cunha, diversos imóveis pertencentes às cinco marcas estão ociosos. A expectativa é de negociar, nos próximos anos, seis unidades e arrecadar mais de R$ 40 milhões. Os recursos seriam investidos na aquisição de equipamentos e em melhorias estruturais.

Outro caso de incorporação na Serra teve como protagonista o Sicredi. A Pioneira, sediada em Nova Petrópolis, absorveu a operação de Caxias do Sul em 2010.

– O grande benefício da união é enxugar a estrutura administrativa. Da porta para a fora, os associados nem percebem a mudança. O fato de não ter duplicidade nos cargos e na estrutura nos trouxe uma economia de R$ 5 milhões ao ano – relata Márcio Port, presidente da Sicredi Pioneira.

Antes da junção, as duas unidades computavam 72 mil associados. Neste ano, a Pioneira soma 125 mil. O volume de recursos depositados mais que dobrou, saindo de R$ 915 milhões para R$ 2,2 bilhões, entre 2011 e 2017. Já a carteira de crédito passou de R$ 465 milhões para R$ 830 milhões.

Texto resumido a partir de publicação no Jornal Pioneiro de Caxias do Sul (http://pioneiro.clicrbs.com.br/especiais-pio/maisserra/11/central.html) e OCERGS (Organização das Cooperativas do Estado do Rio Grande do Sul).

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RAMOS DO COOPERATIVISMO BRASILEIRO

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Agropecuário
Reunindo produtores rurais, agropastoris e de pesca, esse ramo foi por muitas décadas sinônimo de cooperativismo no país, tamanha sua importância e força na economia. As cooperativas caracterizavam-se pelos serviços prestados aos associados, como recebimento ou comercialização da produção conjunta, armazenamento e industrialização, além da assistência técnica, educacional e até social. Ainda é o ramo de maior expressão econômica no cooperativismo, com significativa participação na economia nacional, inclusive na balança comercial.

Consumo
Inicialmente formado por cooperativas fechadas (exclusivas para atender a funcionários de empresas), chegou a ter centenas em meados do século 20. Porém, o início da incidência do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), a partir do Decreto-Lei 406/68, atingiu duramente o ramo. Os preços deixaram de ser competitivos e a maioria das cooperativas fechou as portas. As que resistiram tornaram-se abertas (atendem toda a comunidade). Hoje, o ramo busca fortalecimento e competitividade, modernizando sua administração e investindo em capacitação e treinamento de funcionários.
Crédito
Um dos primeiros ramos a se organizar no país, atua no crédito rural e urbano. Foi praticamente extinto pelo governo, entre as décadas de 1960 e 1980. Nos anos 90, o ramo se reestruturou. Com o objetivo de facilitar o acesso dos associados ao mercado financeiro com melhores condições que as instituições bancárias tradicionais, hoje o ramo está consolidado e é um dos que mais crescem no país. Possui três sistemas – Sicredi, Sicoob e Unicred – e dois bancos cooperativos – Bansicredi e Bancoob.
Educacional
A primeira cooperativa educacional do Brasil surgiu em 1982, quando o primeiro grupo de pais se reuniu e decidiu formar uma escola. O objetivo das cooperativas educacionais é unir ensino de boa qualidade e preço justo. Assim, pais de alunos ou professores formam e administram as escolas cooperativas, promovendo a educação com base na democracia e na cooperação, sem estimular a competição.
Especial
Fundamentado pela lei 9.867/99, esse ramo se constitui de cooperativas formadas por pessoas em situação de desvantagem, como deficiência física, sensorial e psíquica, ex-condenados ou condenados a penas alternativas, dependentes químicos e adolescentes a partir de 16 anos em difícil situação familiar, econômica, social ou afetiva. As cooperativas atuam visando à inserção no mercado de trabalho desses indivíduos, geração de renda e a conquista da sua cidadania.
Habitacional
As cooperativas habitacionais têm como objetivo viabilizar moradia aos associados. Seu diferencial é a construção de habitações a preço justo, abaixo do de mercado, pois não visam ao lucro. Inseridas num contexto social que aponta déficit nacional de mais de seis milhões de moradias, as cooperativas habitacionais podem se constituir em todas as classes sociais. A primeira cooperativa surgiu em 1951, mas o ramo se organizou como tal em 1992.
Infraestrutura
Formado hoje por cooperativas de eletrificação rural, esse ramo existe desde 1941 e atende, principalmente, às pequenas e médias propriedades rurais. As cooperativas preenchem uma lacuna das concessionárias de energia nas regiões de baixo consumo. Além da construção de redes, as cooperativas são responsáveis pela produção, geração, manutenção, operação e distribuição da energia elétrica.
Mineral
Previsto na Constituição Federal de 1988, esse ramo atua na pesquisa, extração, lavra, industrialização, comércio, importação e exportação de produtos minerais. De grande alcance social, está presente, principalmente, nas pequenas e médias jazidas, que não despertam interesse das grandes mineradoras.
Produção
Estimula o empreendedorismo em que um grupo de profissionais, com objetivos comuns na exploração de diversas atividades produtivas, se reúne para produzir bens e produtos como donos do seu próprio negócio. A ênfase maior do ramo Produção está nos setores da agropecuária e industrial.
Saúde
As cooperativas médicas existiam há três décadas quando o ramo, genuinamente brasileiro, foi desmembrado do ramo Trabalho, em 1996, devido à sua força e representatividade. Reúne profissionais especializados na promoção da saúde humana, como médicos, dentistas, psicólogos e outros profissionais. Uma das maiores operadoras de planos de saúde do país é um Sistema Cooperativo (Unimed).
Trabalho
Associação de profissionais de atividades afins para a prestação de serviços. Tem muito espaço para se fortalecer, com o cenário de enxugamento de vagas no mercado formal de trabalho. É a saída contra a informalidade, mas ainda carece de legislação regulamentadora.
Transporte
Composto por cooperativas de transporte de carga e passageiros – táxis e vans inclusos – é outro desmembramento do ramo Trabalho. Mais novo dos ramos, foi criado em 2002. Já nasceu forte e estruturado.
Turismo e Lazer
Em processo de estruturação, foi criado em 2000, durante Assembléia Geral Ordinária da OCB. Respaldado no enorme potencial turístico brasileiro, visa à prestação de serviços turísticos, artísticos, de entretenimento, esportes e hotelaria por profissionais dessas áreas.