COOPERATIVISMO MÉDICO…. UMA OBRA INCOMPLETA.

(Edson Luiz Doncatto)

Desde 1967, quando surgiu a primeira cooperativa de trabalho médico, em Santos-SP, até nossos dias, algumas normas e condutas continuam iguais e necessitam uma revisão para que se pratique um cooperativismo de fato.

Dois aspectos são relevantes para discutir e aperfeiçoar o que se pratica hoje: A retribuição laboral, isto é, a consulta médica e procedimentos, e o rateio das sobras.

Nas cooperativas de produção, principalmente as agrícolas, a remuneração é definida pela qualidade do produto ao ser classificado por alguns parâmetros definidos pelos sócios.

No modelo atual, o valor da consulta é linear, igual para todas as especialidades, não importando o tempo necessário para sua execução e nem o grau de complexidade, que pelas suas características são exigidas, deixando de fora todas as outras características peculiares de cada especialidade.

Aplica-se como base a Tabela de Honorários Médicos da AMB, que é utilizada também para os demais procedimentos. O sistema cooperativo permite, aos sócios, por decisão de uma assembléia, redefinir estes valores, de acordo com a proposta, uma vez que as cooperativas tem autonomia e independência.

O desafio será a criação de uma tabela de honorários médicos, para o Sistema Cooperativo Médico, que contemple estas sugestões, ao menos na consulta, pois temos especialidades que somam automaticamente exames e procedimentos (autogerando procedimentos).

Outra questão que pode ser melhorada é com relação ao rateio das sobras (tanto para distribuir, como para capitalizar). Na maioria das cooperativas médicas os custos e as despesas das operações são rateados em partes iguais entre os sócios, só que na hora de calcular o valor das sobras para cada sócio quem produziu mais recebe mais dessas sobras, mesmo tendo sido o que mais gastou para desenvolver sua atividade.

Para que os sócios tenham a percepção de equidade (não confundir igualdade na visão societária em que cada sócio tem um voto igual aos demais, não importando a sua cota capital, com equidade que é justiça na participação das sobras e na valoração da consulta pelo grau de complexidade para sua execução).

A sugestão é que o rateio das sobras seja realizado com setorização dos custos e redistribuição destas sobras dentro de cada especialidade.

(Em ambas as sugestões fiz TCC, na conclusão de pós-graduação em Gestão de Cooperativas, Unisinos/2001, e Gestão de Negócios em Saúde, Universidade Gama Filho/2007).